Um colecionador de prêmios

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Paulo Mendes da Rocha é um colecionador de prêmios. Entre vários prêmios internacionais, ele ganhou o Prêmio pela Trajetória Profissional na I Bienal Ibero-Americana de Arquitetura (BIAU), realizada em Madri em 1998, sob patrocínio do governo espanhol.

Por duas ocasiões ganhou o Prêmio Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana: em 1999, pelo projeto do MuBE, e em 2000 pela Pinacoteca de São Paulo. (1999 e 2000), O prêmio é uma iniciativa Fundação Mies Van der Rohe.

Em 2006, Paulo Mendes da Rocha ganhou o Prêmio Pritzker, considerado o “Nobel da Arquitetura”. Antes dele só outro arquiteto e urbanista brasileiro obteve tal conhecimento: Oscar Niemeyer. O Pritzker é uma iniciativa da Fundação Hyatt, dos Estados Unidos.

Ao anunciar a escolha do júri, Thomas J. Pritzker, presidente da Fundação Hyatt, disse que “Mendes da Rocha demonstrou um profundo entendimento de espaço e escala através da grande variedade de edifícios que desenhou, desde residências privadas, complexos habitacionais, uma igreja, museus e estádios esportivos e planos urbanos para o espaço público. Embora apenas alguns de seus edifícios tenham sido realizados fora do Brasil, as lições a serem aprendidas com o seu trabalho, tanto como arquiteto praticante e professor, são universais “.

Em 2015, Paulo Mendes da Rocha recebeu o título de Membro Honorário do Conselho Internacional de Arquitetos de Lingua Portuguesa (CIALP), Na ocasião, o arquiteto doou à Casa da Arquitectura de Portugal os projetos originais do Museu dos Coches, em Lisboa. Para João Belo Rodela, presidente do CIALP, a obra do arquiteto brasileiro tem a constância de uma mesma postura ética, “sempre dirigida ao maior número e à busca de uma vida decente em espaço generoso, fluído e público”.

LEÃO DE OURO DE VENEZA – A indicação de Paulo Mendes da Rocha para o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016 partiu de Alejandro Araveda, curador da mostra. Segundo o Conselho dos Diretores da Bienal, entre outros pontos, “o atributo mais marcante de sua arquitetura é a atemporalidade”.

“Muitas décadas após serem construídos, cada um de seus projetos resiste ao avanço do tempo, tanto estilisticamente e fisicamente. Essa consciência estarrecedora deve ser aconsequência de sua integridade ideológica e sua genialidade estrutural. Ele é um desafiador inconformado e, ao mesmo tempo, um realista apaixonado”, diz nota do colegiado.

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A indicação de Paulo Mendes da Rocha para o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016 partiu de Alejandro Araveda, curador da mostra. Segundo o Conselho dos Diretores da Bienal, entre outros pontos, “o atributo mais marcante de sua arquitetura é a atemporalidade”.

“Muitas décadas após serem construídos, cada um de seus projetos resiste ao avanço do tempo, tanto estilisticamente e fisicamente. Essa consciência estarrecedora deve ser a consequência de sua integridade ideológica e sua genialidade estrutural. Ele é um desafiador inconformado e, ao mesmo tempo, um realista apaixonado”, diz nota do colegiado.

O Colegiado ressaltou também as áreas interesse de Paulo Mendes da Rocha para além da Arquitetura, englobando temas políticos, sociais, geográficos, históricos e técnicos. “Ele tem sido um modelo para muitas gerações de arquitetos no Brasil, América Latina e em todos os lugares. É uma pessoa capaz de unir esforços compartilhados e coletivos, bem como alguém capaz de atrair outros para a causa de um melhor ambiente construído”.

Paulo Mendes da Rocha recebeu também os títulos de Professor Honoris Causa da Facultad de Arquitectura e da Universidad de la República del Uruguay e Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe (Argentina). Também é Doutor Honoris Causa pela University of Architecture and Urbanism “Ion Mincu” (Bucareste), pela Universidade de Lisboa e pela Universidad Nacional de Córdoba (Argentina), nessa caso por sua distinção em artes, ciência, cultura e direitos humanos.

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No Brasil, o arquiteto foi duas vezes homenageado com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, em 2004 e 2013. Ele também recebeu o Troféu APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) duas vezes, em 2012 e 2015. Em 2007 ganhou o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Presbeteriana Mackenzie e, em 2010, o título de Professsor Emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Paulo Mendes da Rocha participou nas VI, X e XX Bienais de Arquitetura de São Paulo (1961, 1968 e 1988, respectivamente), na VII Bienal de Veneza (1993), na V Bienal de Havana (1994) e na X Documenta de Kassel (1997).

ROYAL GOLD MEDAL – Em 2017, o arquiteto recebeu a Medalha de Ouro Real do Royal Institute of British Architects (RIBA), dada em reconhecimento do trabalho de uma vida. A premiação é aprovada pessoalmente por Sua Majestade a Rainha e é concedida a uma pessoa ou grupo de pessoas que tiveram uma influência significativa, direta ou indiretamente, no avanço da Arquitetura mundial.

A indicação para a premiação de Paulo Mendes da Rocha foi feita pelos arquitetos Neil Gillespie, irlandês,da Foundation for Architecture and Education, e John McAslan, escocês. (Veja abaixo as saudações que eles fizeram a Paulo Mendes da Rocha na cerimônia de entrega do prêmio).A nomeação foi apoiada pelos arquitetos Sir David Chipperfield, inglês, e John Tuomey, irlandês, ambos também ganhadores da honraria, e ainda pela arquiteta irlandesa Yvonne Farrell (nomeada, juntamente com Shelley McNamara, também irlandesa, curadora da Bienal de Veneza de 2018).

Conferência de Paulo Mendes da Rocha na cerimônia de entrega da Royal Gold Medal


SAUDAÇÃO DE NEIL GILLESPIE (PRÊMIO RIBA)
“O trabalho que Paulo Mendes da Rocha desenvolve há seis décadas se caracteriza pela consistência, ressonância e força. Na verdade, poderíamos também acrescentar, no contexto da cultura de hoje, que ele é ‘cego’ para  a celebridade e pelo  lucro, o que torna seu trabalho  ainda mais significativo e relevante.

Seu trabalho tem coragem e clareza que poucos podem igualar. Suas estruturas são ousadas e alegres. Seu uso de concreto ousado e inovador. Seus planos na escala de edifício ou na escala da cidade são generosos e expansivos. Ele é apaixonado por pessoas e sociedade e como seus edifícios podem servi-los. Essas qualidades notáveis estão presentes mesmo em suas primeiras obras. Há uma qualidade para o seu trabalho que o torna atemporal.

Para muitos, ele representa uma das últimas grandes figuras da Arquitetura cujo trabalho, ao serviço da sociedade, tem uma dimensão poética que mergulha profundamente em nossa disciplina arquitetônica”.

SAUDAÇÃO DE JOHN McASLAN (PRÊMIO RIBA)“Fico satisfeito por ter sido convidado a preparar a seguinte citação em homenagem ao eminente arquiteto brasileiro, Paulo Mendes da Rocha, vencedor da Medalha de Ouro Real RIBA de 2017. A estatura internacional de Paulo, que tem sido considerável há décadas, surge de uma combinação notável e sustentada de originalidade arquitetônica, preocupação social e trabalho educativo.

Todo espaço deve estar ligado a um valor, a uma dimensão humana”, disse ele em 2004. “Não há espaço privado. O único espaço privado que você pode imaginar é a mente humana. Ele também disse: “Todo problema exige pensar, não soluções prontas. Você sabe que não sabe, mas há urgência em fazer algo. Você tem que descobrir o conhecimento – esse é o ponto. Essa observação se aplica não só à natureza da investigação arquitetônica, mas também à forma como Mendes da Rocha abordou o ensino ao longo das décadas.

Sua grandeza potencial ficou evidente em 1957 quando, como um arquiteto emergente, ele projetou e construiu sua primeira obra importante, o Clube Atlético Paulistano.  O edifício imediatamente confirmou-o como uma força original entre a vanguarda modernista internacional, e estabeleceu o chamado brutalismo paulista. 

Embora muito diferentes, seus projetos de arquitetura têm o mesmo grau de poderosa presença formal e estrutural que as obras de mestres como Louis Kahn e Kenzo Tange. Embora a arquitetura de Mendes da Rocha pareça adequar-se à definição de Robert Hughes do modernismo como “o choque do novo”, suas estruturas nunca são projetadas para chocar, mas sim envolver-se tão diretamente quanto possível com pessoas comuns, vidas comuns e configurações comuns. 

As ideias que continuam a produzir sua arquitetura ainda são influentes internacionalmente. Quando Mendes da Rocha recebeu o Prêmio Pritzker em 2006, a citação falou de seu domínio da poética do espaço. E em 2016, quando ele foi selecionado para o Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra na Bienal de Veneza, a citação referiu-se à atemporalidade física e estilística de seus edifícios e ao fato de que sua “consistência surpreendente” foi o produto de “sua integridade ideológica e Gênio estrutural “. Sua citação de 2016 como um Acadêmico da Royal Scottish Academy, também se refere a essas qualidades, e ao mesmo tempo, destaca sua influência sobre o inovador trabalho na Escócia de Metzstein e MacMillan e outros, o que traz a relevância de seu trabalho ainda mais perto mim.

 Um prêmio recente e recente para Paulo, é o prêmio Praemium Imperiale deste ano pela Associação de Arte do Japão, por esta contribuição vitalícia para a arquitetura. 

Sua arquitetura resiste ao resumo, mas muitas vezes contrapõe os elementos formais concretos maciços com pontos de transição relativamente delicados de estrutura. Isso, por si só, não é incomum. Mas a forma como a da Rocha monta as peças na geometria dos seus edifícios permanece única. Sua inteligência de engenharia sempre igualou sua originalidade formal.

 Por exemplo, seu Pavilhão Brasileiro na Expo 70 no Japão foi equilibrado exclusivamente em um único ponto do terreno. No ginásio do Clube Atlético Paulistano,  seis lâminas de concreto apoiaram o teto de concreto fino, pré-tensionado; as lâminas foram ancoradas em 12 cabos que sustentam uma tampa central para o telhado: uma combinação de elementos pesados e detalhes estruturais relativamente delicados que acrescentou algo novo para a arquitetura modernista.

 A mesma originalidade de forma e conexão social pode ser vista em seus edifícios públicos brasileiros nas décadas de 70 e 80, que incluíram o Estádio Serra Dourada (Goiânia) eo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo em 1975. E a sala de exposições da Forma Furniture e a Capela de São Pedro em 1987 – o último uma estrutura de concreto com fachadas de vidro de dois andares, e uma única coluna de concreto que ancora o centro.

 Na década de 1990, Mendes da Rocha transformou o mais antigo museu de artes plásticas de São Paulo, a Pinacoteca do Estado, com pontes internas, um dossel central e uma linguagem arquitetônica que conserva magnificamente um frescor e qualidade de beleza crua e permanece. Na minha opinião, uma de suas melhores obras.

 Entre suas outras obras importantes estão o Cais das Artes, em Vitória; o Museu Brasileiro de Escultura, em  São Paulo, e a dramática estrutura do Pórtico da praça do Patriarca, em São Paulo. Sua arquitetura doméstica – como a Casa Mendes da Rocha, a Casa Masetti ea Casa King – refletem as mesmas explorações de composições marcantes e claras, envolvendo estruturas pesadas e detalhes mais finos.

 Mais recentemente, a escala e a articulação do Museu Nacional dos Coches de 2015, em Lisboa,  continuam a provar que a integridade humana e a ousadia estrutural da abordagem de Mendes da Rocha à Arquitetura estão absolutamente intactas.

 Como nota pessoal revelo que, quando encontrei Paulo, com sua família em São Paulo, em 2012, achei-o muito claramente, profundamente preocupado com como os arquitetos podem melhorar a vida das pessoas e com um compromisso infalível com a arte da Arquitetura. Ele certamente não se considerava um heroico projetista de objetos arquitetônicos icônicos, o que torna este inovador altamente envolvente e modesto,  ainda mais atraente e relevante hoje.

 Eu gostaria de terminar minha citação mencionado algo que Mendes da Rocha escreveu em 2003:” Ao contrário de muitas pessoas que têm medo da pobreza, eu sempre fui atraído por ele, por coisas simples, sem saber por quê. Não dificuldades, mas a humildade de coisas simples. Acho que tudo o que é supérfluo é irritante. Tudo o que não é necessário torna-se grotesco, especialmente no nosso tempo”.

Nos mundos cada vez mais vinculados da Arquitetura, do consumismo e do corporativismo, a ressonância dessa observação aumentou com o passar do tempo. O gênio particular de Paulo Mendes da Rocha pode ter se originado em meados da década de 1950, mas ele, sem dúvida, permanece um arquiteto – e especificamente não um “starchitect” – para os nossos tempos. Esta é certamente a marca essencial de sua grandeza. “.

OUTRAS PREMIAÇÕES – Paulo Mendes da Rocha recebeu também os títulos de Professor Honoris Causa da Facultad de Arquitectura e da Universidad de la República del Uruguay e Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe (Argentina).

O arquiteto também é Doutor Honoris Causa pela University of Architecture and Urbanism “Ion Mincu” (Bucareste), pela Universidade de Lisboa e pela Universidad Nacional de Córdoba (Argentina), nesse caso por sua distinção em artes, ciência, cultura e direitos humanos.

No Brasil, o arquiteto foi duas vezes homenageado com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, em 2004 e 2013. Ele também recebeu o Troféu APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) duas vezes, em 2012 e 2015. Em 2007 ganhou o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Presbeteriana Mackenzie e, em 2010, o título de Professsor Emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Em 2017, foi homenageado pelo CAU/SP por sua destacada obra.

Paulo Mendes da Rocha participou nas VI, X e XX Bienais de Arquitetura de São Paulo (1961, 1968 e 1988, respectivamente), na VII Bienal de Veneza (1993), na V Bienal de Havana (1994) e na X Documenta de Kassel (1997).