O PROJETO

Conforme dados do Sistema de Informação Geográfica do CAU (IGEO), dos 5.570 municípios brasileiros, somente 3.737 possuem arquitetos e urbanistas ativos. Há também uma grande discrepância na relação entre arquitetos e urbanistas e habitantes entre as Unidades da Federação. Há mais de 40 milhões de pessoas sem habitação adequada no país e a maioria se concentra nos estados com acesso restrito a serviços de arquitetura e urbanismo, conforme dados da Fundação Joao Pinheiro sobre déficit habitacional e inadequação de domicílios no Brasil (2016-2019), elaborados para o Ministério do Desenvolvimento Regional.

Para que o Conselho possa cumprir com a sua missão de “promover a arquitetura e urbanismo para todos”, é necessário fomentar a territorialização da arquitetura e urbanismo, levando os serviços profissionais a todos os municípios brasileiros. Para esse fim, o CAU tem trabalhado em diversas frentes.
A Comissão de Ensino e Formação estruturou, a partir de sua Deliberação no 004, de 5 de março de 2021, o Projeto Lelé. O projeto faz referência ao arquiteto e urbanista João Filgueiras Lima, considerando a sua trajetória profissional.
 
A Carta UNESCO – UIA para a Formação em Arquitetura determina:
 
5.2. Os titulares de um diploma ou análogo em Arquitetura devem satisfazer, para além dos 5 anos de estudo, uma formação pratica aceitável antes do pleno exercício da profissão de, pelo menos, 2 anos (ainda que 3 anos fosse desejável), admitindo-se alguma flexibilidade para equivalências e ressalvando que um destes anos poderá́ ter lugar antes da conclusão dos estudos universitários.
 
O Projeto Lelé tem consonância com os objetivos estratégicos “Fomentar o acesso da sociedade à Arquitetura e Urbanismo” e “Influenciar as diretrizes do ensino de Arquitetura e Urbanismo e sua formação continuada”, bem como com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) no 4 (Educação de Qualidade).
 
 
Com o Projeto Lelé, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU Brasil) visa a integração e inserção dos estudantes concluintes do curso de arquitetura e urbanismo no contexto e processo de desenvolvimento das boas práticas profissionais de arquitetura e urbanismo nacional, proporcionando a transição plena de estudante para profissional capacitado para o exercício da arquitetura e urbanismo em consonância com as competências e a missão do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), e promovendo o acesso universal à arquitetura e urbanismo como garantia do bem-estar social.
 
Essa inserção se dá através da mobilidade de estudantes concluintes da graduação para o desenvolvimento de atividades em arquitetura e urbanismo em prefeitura sem acesso a arquitetos e urbanistas. O programa possui compatibilidade e equivalência com o Trabalho Final de Graduação, permitindo que o estudante participante conclua a sua graduação a partir do exercício de atividades práticas supervisionadas, durante a sua participação no “Projeto Lelé”.
 
Serão oferecidas bolsas mensais no valor de R$1.450,00 durante 10 meses para cada estudante. Há duas grandes escalas de atuação dos estudantes, são elas: a Escala do Edifício e a Escala Urbana.
 
  • Escala do Edifício: Desenvolvimento de atividades vinculadas a projetos edilícios, como escolas, unidades de saúde, creches, centros de atividades, entre outros;
  • Escala Urbana: Divido entre INFRAESTRUTURA e EQUIPAMENTOS. Infraestrutura, desenvolvimento de atividades vinculadas a planejamento urbano, desenho de vias, etc. Equipamentos, projetos vinculados a equipamentos urbanos, como praças, mobiliário urbano, etc.
 

O projeto possui uma estrutura tripartite entre CAU Brasil, Municípios e Instituições de Ensino Superior, sendo o CAU Brasil o idealizador e gestor do projeto.