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Dona Dalva e a arquitetura como transformação da vida

Uma das mais antigas moradoras da Vila Matilde, Dona Dalva Borges Ramos, 74 anos, nascida no interior da Bahia, estava vendo sua rotina ruir junto com o imóvel onde residia na zona Leste de São Paulo. Imagine uma senhora que passou a maior parte da sua vida no mesmo bairro, próxima a primos, tios, irmãos e amigos, ter de mudar às pressas por conta da sua casa estar em risco de desabamento.

Não era só a distância dos familiares que tirava o sono da Dona Dalva. Para agravar ainda mais a situação, a venda do terreno, somado a poupança que ela juntou por 30 anos, não permitiam comprar nada além de um apartamento afastado da Vila Matilde e num prédio sem elevador. Reflita por um instante: senhora de 74 anos + prédio sem elevador. Se você mora em apartamento, passe dois dias usando só as escadas. Não é nada fácil. E mesmo assim talvez não dê a dimensão exata do desespero dessa senhora.

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Mas voltando a problema central, o drama todo começou em 2011, quando havia mais de 25 anos que o imóvel estava sem reformas, com evidentes sinais de insalubridade e problemas estruturais. Aí claro, a coisa ficou feia. Segundo o filho da Dona Dalva, Marcelo Borges Ramos, a situação da casa era a seguinte: “chovia tanto dentro quanto fora”. O que mais impressionava a mãe era a fragilidade das paredes “que pareciam ser feitas só de areia, só com a casca da pintura por cima”.

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Tudo isso culminou com o maior sinal de que o imóvel não poderia mais ser habitado: em 2013 um pedaço do teto caiu sobre a cama da Dona Dalva. Por sorte, essa simpática senhora não se feriu.

Bem antes do desastre ocorrer, o filho Marcelo já havia contatado os arquitetos. Em 2011, preocupado com as condições de moradia para sua mãe, por indicação de amigos comuns ele foi ao escritório. Indagou sobre a possibilidade de construção de uma nova casa, digna, com poucos recursos. A resposta foi positiva. Um primeiro projeto, baseado em estrutura metálica, foi feito e aprovado na Prefeitura, mas a obra foi protelada.

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Com a queda do teto dois anos depois, o escritório voltou a ser procurado por Marcelo. Um segundo projeto foi feito e a vida de dona Dalva se transformou. Ao contrário do que muitos pensam, arquitetura não é “coisa de rico”. E foi confiando em três jovens profissionais, com prestígio crescente mas acessíveis – Danilo Terra (36 anos), Pedro Tuma (38) e Fernanda Sakano (27) – que hoje o pequeno lote de 4,8m X 25m abriga uma casa novinha em folha, onde a Dona Dalva mora com total conforto, segurança e, claro, muito feliz próxima às pessoas que ama.